segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Não, obrigado

Desde o ano passado que leio sobre a britânia antiga, suas guerras, deuses, costumes e tudo o mais. Li duas vezes as crônicas de Arthur, lendário guerreiro que livraria toda a ilha galesa dos invasores de além mar. Concomitante à guerra de Arthur com os saxões, ocorria outro embate: o do cristianismo com o paganismo.

Os cristãos, levados a ilha britânica pelo império romano, praticamente erradicaram a velha religião. Derrubaram o alicerce pagão quando varreram quase todos os druidas e encaixaram o paganismo no simplório jogo cristão: nós somos o bem e eles o mal, disseram os padres. Simples assim.

Encarava isso como uma peleja antiga, já que todos sabemos qual lado saiu vencedor. Mas não, não acabou. Ainda hoje acontece o mesmo dos tempos do senhor da távola redonda.

Em um culto batista, presenciei o Pastor perguntar a um homem, q se dizia possuído, se ele havia ido a um tambor? Ao receber a resposta positiva, o sacerdote disse que ele tinha feito um pacto com o diabo. Porque todos sabem, todos sabem, o anjo caído vem para “enganar, matar e destruir”. A guerra continua!, pensei eu. O cristianismo e suas diversas faces arrefeceram os ânimos, mas mantêm a guarda a postos.

Confesso que gostei do culto, mas essas questões e outras ainda me mantêm longe dessa e de qualquer religião.

Em tempo, no mesmo templo, fui testemunha, de uma reação firme à lei que criminalizaria a homofobia. O gay, pelo que entendo, fica num vácuo religioso entre o vil e o diabo. Ou você faz algo sugestionado pelo santã ou não presta mesmo. Uma coisa bem didática.

Nunca gostei de religião alguma. E hoje, já adulto, simplesmente não posso fazer parte de uma instituição que nega gays, outras religiões e que acaba por negar o ser o humano por ele mesmo. Não dá, passo.

Tenho consciência que a religião é de suma importância para a vida de qualquer um e negar isso é uma tolice. Não nego religião nenhuma e vejo claramente o papel que ela desempenha em nossa sociedade e na vida de tantas pessoas. Vi isso no culto, quando pessoas choravam cantando um louvor ou quando o Pastor perguntou se elas estavam livres para Jesus. Não vejo o mínimo problema nisso como a maioria dos ditos laicos se afobam em apontar. Para aquelas pessoas, os crentes, o batismo é importante e faz parte da sua vida assim como o amor ao seu irmão e mãe, uma coisa que poucos abrem mão.

Não posso diminuir algo assim.

Merlin lutou bravamente pelos seus deuses, que hoje estão esquecidos, sem poder e mortos como o próprio mago. Jesus derrubou os deuses helênicos do império Romano e desde então a santíssima trindade vem mandando no mundo espiritual, mesmo que hoje o Islamismo seja maior.

Continuo agnóstico, acreditando em Deus , mas sem religião. E assim perdurarei até o dia que o ser religioso não seja obrigado a negar um gay ou umbandista. Até lá, no thanks.

Meu lado religioso é o humano e nada mais.

Amém.

1 Comment:

Cat. said...

"Meu lado religioso é o humano e nada mais." Uma das coisas mais maravilhosas que ouvi nos últimos tempos. Parabéns, meu irmão, pelo texto e pela reflexão. Nem preciso dizer que tô com vc e não abro! Bjs.