domingo, 27 de dezembro de 2009

Síntese de uma mente consternada

"Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo
Prefiro acreditar no mundo do meu jeito
E você estava esperando voar
Mas como chegar até as nuvens com os pés no chão?"

Ranato Russo explicando a dificuldade em aliar aritmética e literatura. Uma sempre concisa e outra sempre variável.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Realidade de mentira

Minha total indisposição para com novelas já foi tema de um texto aqui nesse mesmo espaço. Minha opinião continua muito parecida e o tema tem me chamado cada vez menos atenção já que não acompanho folhetim algum. Entretanto a nova novela das oito, que vai ao ar às nove, me chamou atenção por causa do acidente de Aline, transformada em deficiente pelo argumento ineficiente Manoel Carlos.

Eis que fuçando no Blog de André Forastieri me deparo com um texto muito bem amarrado de Marcelo Soares, amigo de André. Marcelo detona a mais nova falácia da TV Globo, acaba com esse papo água de que as novelas estão retratando o real.

Leia o texto e confira.

Com a palavra, Marcelo Soares, criador do blog E Você Com Isso?.
Virou moda expor problemas sociais e de saúde em novelas, pra mostrar “a vida como ela é”. Pegue a história da modelo Luciana, da novela Viver a Vida.

Loira, linda, alta, jovem e rica, sofreu um acidente de ônibus no Oriente Médio e perdeu os movimentos dos membros. A ideia é mostrar como é a vida de quem sofre com deficiência física.

Mas será que a personagem representa mesmo quem sofre com isso? Existem dados sobre isso.

A cada dez anos, o IBGE coleta informações detalhadas sobre a população brasileira no Censo. No banco de dados deles, procurei ver quantas pessoas no Brasil tinham mais ou menos o mesmo perfil da personagem:
Mulher, 25 a 29 anos, com rendimento nominal mensal de mais de 5 salários mínimos (o IBGE não oferece classe mais alta que isso) e portadora de deficiência física (tetraplegia, paraplegia ou hemiplegia permanente).

Clique aqui e acesse o link do banco de dados do IBGE.

No censo de 2000, havia apenas 262 mulheres nessa condição no país – num total de 514.791 mulheres nessa faixa etária e grupo de renda. Isso dá 5 em cada 10 mil mulheres dessa faixa etária e grupo de renda no Brasil.
Se for fazer pelo total de brasileiros, incluindo homens e mulheres de todas as idades, dá 1,55 POR MILHÃO.
O dado tem um problema sério: 5 salários mínimos é uma renda muito abaixo da renda da personagem. Se for restringir pelos que ganham ao menos 10 salários mínimos por mês, um salário modesto para uma supermodelo principiante, certamente haveria menos gente.
Para ter uma ideia, apenas pelo corte de cinco SM já foram excluídos DEZESSETE ESTADOS que sequer tinham mulheres com deficiência física nessa faixa de idade e renda: RO, AC, RR, PA, AP, TO, PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE, ES, SC, MS, MT.
As moças com deficiência física nesses lugares costumam ser mais pobres. Como, de resto, a média dos habitantes. Portanto, têm menos acesso a bons hospitais e transporte de qualidade. Sofrem bem mais.

Das 262 mulheres com deficiência física no Brasil, apenas 34 estavam no Rio de Janeiro (onde mora a personagem da novela). Isso dá 6 em cada 100 mil mulheres de mesma idade, sexo e faixa ampla de renda no Brasil inteiro. Ou DUAS EM CADA DEZ MILHÕES de brasileiros de todos os sexos e idades.

Não dá pra ver por bairro quantas moram no Leblon. O que dá pra ver é que apenas 19 dessas 32 mulheres estavam na cidade do Rio. Isso dá 3,7 em cada 10 mil brasileiras de mesma idade e faixa ampla de renda. Ou pouco mais de UMA EM CADA DEZ MILHÕES de brasileiros.

O Censo não permite filtrar pela altura, cor do cabelo, profissão ou largura dos lábios. Também não permite ver a questão do comportamento da moça, o que estreitaria ainda mais a seleção.

“A vida como ela é”, uma pinóia. Essa personagem praticamente não existe – e, se existir, tem a vida muito mais confortável do que a dos que de fato existem.
Tudo para quem tem dificuldades de locomoção acaba saindo mais caro. Quem tem grana consegue contornar a maior parte desses problemas; quem não tem sofre muito mais.
E como são os que existem? O IBGE também nos conta
Antes de mais nada, 22% dos homens com deficiência física e 29% das mulheres com deficiência física simplesmente não têm renda nenhuma.

No Brasil, a maior proporção dos que têm deficiência física dentro de sua faixa etária está entre os velhinhos homens de mais de 70 anos de idade e renda nenhuma (4,4%) ou até um salário mínimo (4,7%).

Dois em cada dez deficientes físicos brasileiros, homens, são velhinhos com mais de 70 anos, e pelo menos um desses dois vive com menos de R$ 500 mensais.

A proporção de velhinhas com deficiência física em sua faixa etária é um pouco menor, mas principalmente porque homem tem a feia mania de morrer mais cedo. Mas três em cada dez mulheres com deficiência física são velhinhas com mais de 70 anos.
Essa proporção de velhinhos vem aumentando, conforme o brasileiro vai ficando mais velho. É o lado ruim da melhoria das condições básicas de vida.

Entre as mulheres, no total do Brasil, 81,3% das que têm deficiências físicas têm renda menor do que um salário mínimo ou nenhuma. Na faixa de idade da Luciana, 25 a 29 anos, são quase 87%.

Ou seja: quase nove em cada dez não ganham nem R$ 500 ao mês.

Educação é outro problema muito sério: é muito difícil alguém que tem deficiência física frequentar aulas, especialmente porque escolas e faculdades não são adaptadas.
Aqui, porém, o roteiro de Manoel Carlos acertou na mosca: tal como 89,7% das moças de 25 a 29 anos com deficiência física, Luciana não estuda.

Ps.: Texto publicado originalmente em: blogs.r7.com/andre-forastieri/2009/12/04/a-paraplegica-da-novela-nao-existe-parte-ii/

domingo, 6 de dezembro de 2009

Não existem duas honestidades ou o jornalismo e a ética do marceneiro

"Time que entrega jogo não pode reclamar de mensalão.

Torcedor que pede para os jogadores perderem não pode reclamar do “panetone de ouro”.

Cartola que combina resultado ou incentiva qualquer armação fora das quatro linhas não pode se queixar dos escândalos de superfaturamentos e empreguismo no dia-a-dia da República.

Não existem duas morais, não existem duas éticas, não existem duas honestidades. Não existe exceção para a vergonha na cara.

Flamengo, Inter, São Paulo e Palmeiras têm condições de serem campeões na bola, no gramado, com a honra e força que construiram as suas histórias.

Cada povo tem o país que merece. E o país que queremos e merecemos deve ser reafirmado em TODAS as ações. Do respeito ao sinal de trânsito até o combate intransigente a toda forma de picaretagem".

Esse texto não é de minha autoria, mas representa com exatidão o meu pensamento. O autor é o jornalista Décio Lopes, editor e apresentador do Expresso da Bola, Blog e programa do SportTV. Um sujeito com um texto direto, limpo, por vezes seco, mas com boas ideas.

Suas palavras tem link direto com as do mestre Cláudio Abramo, jornalista astuto, perspicaz ao extremo. Um cidadão sem meias palavras com sua vida e seu trabalho.

Abramo escreveu:

Sou jornalista, mas gosto mesmo é de marcenaria. Gosto de fazer móveis, cadeiras, e minha ética como marceneiro é igual à minha ética como jornalista — não tenho duas. Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão. O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito. A ética do jornalista é a ética do cidadão. O que é ruim para o cidadão é ruim para o jornalista.

Seu argumento é universal e não fica restrito apenas à jornalistas e cidadãos. Quando se trata de nós pessoas não existe aquela resposta pré-concebida: "eu, enquanto cidadão"..... e quando se deixa de ser um cidadão? Em qual momento? Não cabe essa de "enquanto". Essa temporalidade não existe, é uma condição intríseca, indissociável e carrega todos os direitos e deveres de cada um. Condições que não abrimos mão nem quando dormimos.

"Pedro, mas esporte é apenas intretenimento. E outra coisa, isso não acontece apenas no Brasil!". Já escutei isso muitas vezes como desculpa para para algo que se julga institucionalizado. No caso a picaretagem. Como se um erro justificasse o outro.

Agradeço profudamente ao Cláudio por me fazer acreditar que o jornalismo pode exister com responsabilidade. Abraço também Décio, que aprendeu as lições do mestre Abramo e como profeta às prega para quem quiser ouvir.

Eu sei o país e o sujeito que eu quero para mim e ele não é parecido com isso que está aí.

Ps.: Blog Expresso da Bola: http://colunas.sportv.globo.com/expressodabola/2009/12/05/nao-existem-duas-honestidades/

Ps2.: Texto de Cláudio Abramo extraido do livro a Regra do Jogo, Companhia das Letras, 1988.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

It's Cold......



"Mas não me diga isso

É só hoje
e isso passa

Só me deixe aqui quieto"

Via Láctea.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Antes de ser.

Li no início da semana o comentário de Juca Kfouri sobre a primeira final do campeonato Sul Americano. Escreveu o jornalista:

Lá(em Quito), a 2850 metros de altitude, (o Fluminense)tentará um resultado razoável diante da LDU, que acaba de despachar o River Plate uruguaio com um retumbante 7 a 0, depois de ter perdido por 2 a 1 o primeiro jogo, em Montevidéu.
O segundo jogo contra a LDU será na quarta-feira, dia 2 de dezembro, no Maracanã.
Antes, no domingo, também no Maracanã, o Fluminense receberá o Vitória para buscar mais uma vitória na trajetória que garanta o Tricolor na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.

E, depois do segundo jogo pela Sul-Americana, o Flu terá Coritiba pela frente, em Curitiba, num jogo que pode selar a queda de um ou de outro.
Esfalfado, não há nenhuma chance de o Flu se dar bem no Equador, razão pela qual o time titular deveria ter ficado no Rio e dado por findo o esforço na sub-taça continental.

É de se temer que a derrota, quase inevitável, quebre o encanto desse Flu que vem de 13 jogos sem perder, com cinco vitórias seguidas.
Este jogo eu não vou assistir, porque será tão insuportável, tão desumano como ver a mulher amada ser torturada.


Li, entendi seus argumentos, mas não concordei de forma alguma com seu comentário. Qual time faria o que ele propôs? Respondo sem rodeios: nenhum.

Mas eis que veio o jogo.........

E nele o time de minha mãe tomou uma sonora goleada de 5x1, praticamente findando o sonho de o título ir parar na sala de troféus das Laranjeiras. Além disso o clube carioca tem dois jogos difíceis que irão selar seu destino no campeonato Brasileiro de 2010. Serie A ou B.

Fiquei abalado com a clarividência de Juca, não por se tratar de um macumbeiro, mas sim de um jornalista altamente qualificado que quando deixa a paixão de lado faz análises muito acertadas. Vi coisa parecida quando li A Regra do Jogo, de Claudio Abramo, um cara extremamente perspicaz que entende como as coisas se encaixam no mundo, assim como o Comediante de Watchemn. Entende e toma o posicionamento que julga melhor diante da realidade, não tentando ser o messias da estação.

Juca leu os sinais, assimilou e com base nisso tomou uma posição.

Não há dúvida que a vida seria bem mais fácil se fosse guiada desta forma.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O que dizer quando tudo parace vazio.
Quem chamar quando todos passaram.
O que falar quando tudo deu errado.

Como confiar, quando o passado prenuncia o desastre
Pior, o que escutar quando tudo parece repetido? Já que isso é uma das poucas coisas que alivia....

"Meu filho, tenha fé!", diria o pastor.

Eu tenho, mas tenho fé em gente, o que parece ser muito mais dificil do que crer em alguma entidade. Entidades geralmentes são perfeitas. Pessoas não. Essas são dificeis por natureza e tem como dom as dualidades: amor, ódio; alegria, tristeza; doçura e amargueza; vida e morte. Isso sem falar do território entre esses extremos. Me pergunto por que ter fé em algo tão falho.....

Acho que essa deve ser a vantagem de Deus, ele é superior! Assim realmente parece mais atraente, para não dizer fácil, acreditar em algo perfeito.

Enfim, como diria meu amigo João Henrique:
"se prazer é vendável eu não sei,
mas não é de graça por certo"

eu digo o mesmo da fé.

domingo, 8 de novembro de 2009

A cruz de malta volta ao centro


Eurico miranda, rebaixamento, humilhação, dor de milhões, Roberto Dinamite, novo patrocíno, torcida apaixonada, luta, suor, vaias, críticas, estádios lotados, garra, vitórias, séria A. Recomeço.

O meu Vasco, "símbolo de democracia, palco do que já houve de melhor no esporte brasileiro", como disse o vascaino Milton Coelho da Graça, está de volta a seu lugar de direito.

81 mil torcedores deram as boas vindas ao Vasco da Gama pelo retorno à elite do futebol. Lugar de onde nunca deveria ter se ausentado.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A "prostituta" e os alunos putos

“Puta”; “prostituta”; “vou te estuprar”. Essas foram algumas das manifestações de alunos da Uniban para Geisy, estudante de turismo acusada, julgada e sentenciada pelos seus colegas de IES por usar um micro-vestido (há controvérsias) provocativo.

O motivo, o vestido insinuante, causou um pandemônio que parou as atividades de todo o campus apenas para ver passar o tal modelito. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Nas imagens é possível ver a turba se manifestando negativamente, eufemismos a parte, com relação à moça. Até professores da instituição acharam justificável a histeria coletiva de cerca de 700 imbecis (alunos).

Um secretário e professor da instituição disse que "A aluna veio trajada de uma determinada forma e isso provocou os alunos". Perguntado se a Uniban acha que isso justifica a agressão à aluna, o secretário foi contraditório. Inicialmente disse que "ela deu causa, ela deu motivos", mas logo em seguida amenizou: "Também não era motivo para tanto alvoroço". Uma graça né?

Se educadores se manifestam assim, não me espanto com a atitude da massa, que perseguiu Geisy por todo o campus xingando-a de todos as maneiras. Tinha aluno(talibã?) subindo em cadeira apenas para filmar o tal vestido rosa. A moça teve que se refugiar dos agressores em uma sala, só conseguindo sair de lá acompanhada de escolta policial.

Me pergunto se é nas mãos de gente como essa que está o nosso futuro? Gente amoral, preconceituosa, despreparada e ignorante. Ainda mais; alguém acha que esse tipo de conduta é apenas dos estudantes da Uniban do campos de São Bernardo? Alguém crê que algo assim não se daria em outros locais. Não não, em tempos de banalização extrema da mulher e de toda a vida cotidiana, posso afirmar que aquela loucura encontra eco em muitos lugares. Um contra-senso em tempos em que a tolerância à diversidade é ordem do dia e já faz parte do manual do politicamente correto, mas talvez esses alunos tenham perdido essa aula.

Fica fácil de “provar” isso acessando aos fóruns. É imenso o número de comentários culpando a aluna pelo ocorrido. E é interessante dizer que o fato se deu nas imediações da maior cidade do país, cosmopolita, moderna, multifacetada; ou seja, na região metropolitana da grande São Paulo.

O mundo dá voltas.....Fico me perguntando o que eles diriam se o caso tivesse ocorrido no Nordeste?

Quem fez um ótimo comentário, como sempre direto e ácido, foi o apresentador Rafael Bastos do CQC. "Inscrições abertas para o curso de graduação em Moda e Nazismo. Uniban: uma universidade irada!", disse ele no Twriter.

É importante frisar que o direito de todos aqueles alunos que provocaram aquela histeria sem sentido tem de ser resguardado, afinal eles têm direito de reprovar, de achar vulgar, de não concordar com uma aluna frequentar as aulas com uma roupa extremamente curta (nem é tão curta assim). Mas por outro lado, como disse um internauta em um fórum do IG, este direito foi deturpado e perdido quando agiram com desrespeito e preconceito para com o próximo.

Nada de novo


Esse caso não é isolado. Essa loucura é de todo Brasil e em todas as classes, já que há guerra nos morros do Rio de Janeiro; confronto entre torcidas organizadas (rivais e até do mesmo time); quando um Juiz de direito foi expulso de um município maranhense pela população local e o fórum foi queimado; ou ainda quando o MST invade uma fazenda e derruba sete mil pés de Laranja e nada acontece. Poderia ainda citar nosso presidente do senado argumentando com a maior cara de pau que avô não nega pedido de neta, se referindo a vaga arranjada para o então namorado da netinha que passou a ganhar quase 4 mil reais sem nem pisar no Congresso e por aí vai.

Dá medo de saber que grande parte da juventude ainda acha que a mulher deve se vestir de forma determinada, se comportar de maneira específica e que caso o contrário é perfeitamente cabível violentá-la, seja oral, física ou psicologicamente quando ela escapa dos padrões. Entende? É justificável!

Para quem quer ir embora de Teresina, assistir a essas coisas faz o pensamento se mover e dispersar. Dá vontade de ir embora do mundo, mas isso é impossível.

Então paro, reflito e escrevo. Infelizmente nada disso parece ter poder algum, e é aí que olho pra cima e peço ajuda. Talvez só assim algo mude.

sábado, 31 de outubro de 2009

Thank you House


Não sei, não sei mas acho que estou ficando mole, velho, acrítico ou nenhum dos três. De toda forma o primeiro capítulo da 6ª temporada do House foi uma das coisas mais bonitas que já vi.

Pessoas sendo pessoas com todos os seus defeitos e virtudes como bem somos todos nós.

Uma alento saboroso.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Saudoso de quem não estava lá

"Quando eu morrer
Voltarei para buscar os instantes
Que não vivi junto ao mar!"



Para uma amiga agora distante, mas sempre próxima e viva na memória.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Um poema

INTIMAÇÃO

De girar e oscilar entre penhascos
de não saber o instante de parar,
de buscar solução na chuva e no ar,
e não haver um sol para os teus ascos;

de procurar Jerusaléns, Damascos,
uma velha Bizâncio à beira-mar,
e o que mais haja para procurar:
uma pista, um rumor, rastros de cascos;

de ter diante de ti teu duplo cego –
teu irmão, teu igual, teu inimigo,
e mendigar um trapo de sossego

onde só existe confusão, perigo
e essa raiva do esforço que te invade) –
tu te tornas amargo por bondade.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Jorge Luis Borges


Dedicado a mim e a meu amigo Wilton Filho.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Viva


Meu destino no próximo dia 28 de fevereiro de 2010 será a praça da apoteose no Rio de Janeiro. Nessa data será realizado o primeiro show do Colplay no Brasil pela turnê Viva La Vida.

A banda toca ainda em São Paulo no em 3 de março.

sábado, 26 de setembro de 2009

Semisonic


Sempre desconfie do que está escrito no Wikipédia. Lá consta que o Semisonic é uma banda de rock alternativo e isso com certeza não é. É verdade que não sei direito o que é rock alternativo, mas o que me vem à cabeça são coisas pouco convencionais. E convenhamos, se tem uma definição para o Semi, essa é convencional.

O Semisonic anda na tênue linha entre o pop totalmente descartável e o rock bonitinho e sincero. Para nossa graça a musica do grupo fica mais com a segunda opção. Outra banda que conseguiu essa mesma façanha foi o Lifehouse, banda que foi apontada como mais um dos clones do Pearl Jam como Creed, Fuel, Stone Temple Pilots (essa é boa), Nickelback e outras que nem lembro o nome; mas que conseguiu fazer um rockzinho competente e cativante.

Mas voltando ao Semi.... No ultimo cd All About Chemistry, em boa parte das músicas os caras conseguiram compor uma série de boas canções. Nada de sofrimento e seriedade, apenas amor e leveza. Um autêntico pop que até faz lembrar um pouco Smash Mouth e Sugar Ray, duas bandas que trocam figurinhas entre si e fizeram sucesso com um som parecido. Entretanto, os americanos do Semisonic deram um passo adiante e conseguiram manipular muito bem os clichês do cancioneiro pop, fazendo um possível defeito atuar como virtude.

Existem bandas que não vieram para revolucionar nada e esse é o caso do Semisonic. Nada, não há absolutamente nada de novo na musica deles, os ingredientes usados já foram manipulados da mesma forma por tantas bandas que nem consigo dizer onde começa uma e termina outra, mas isso não impede que ainda sim seja saborosa.

Acho isso legal, reconhecer tantas limitações na musica de alguém e ainda sim ela soar cativante e você poder curtir o som sem dor de cabeça. Comecei a aprender esse tipo de coisa com o rock farofa dos anos 80, coisas tipo Bon Jovi, Scorpions, AC/DC, Skid Row e outras. Adoro essas bandas assim como curto Radiohead, Sonic Youth, Wilco, Yo La Tengo, Morphine e outras tantas dos chamados ‘entendidos’.

Só não agüento aquele papo dos alternativos se vangloriarem de conhecer uma banda que fez apenas uma cópia do seu último lançamento e apenas 15 pessoas no mundo inteiro conhecerem. E exatamente esse fato ser importante. Please.

Por isso acho interessante o Eric, uma figura que tem mais de 1500 cds e curte desde a coisa mais alternativa de todos os tempos até chegar a bandas como o Eagles of death metal e outras que misturam rock com putaria, uma coisa tosca e brega mas muito divertida. Isso não quer dizer que ele gosta do Semisonic, aliás tenho quase certeza que não.

Não ele, mas acho que Julianna gostaria; Neto e Daniel curtiriam algumas músicas apenas; Junior seria totalmente indiferente; Gustavo não escuta international music; Marco prefere Walkman; Catarina pediria para mandar as músicas para ela e depois nunca mais lembraria disso.

Eu, gosto bastante. Clichê ou não um sorriso sempre é bem vindo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Uma oração

Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.

Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.

Queria postar uma coisa bonita hoje no blog, por isso de Jorge Luís Borges aparecer por aqui. Afinal poucas coisas são tão bonitas quanto a sinceridade.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Só na Inglaterra....

A Uefa puniu Eduardo da Silva nesta terça-feira. O comitê disciplinar da entidade suspendeu o atacante do Arsenal, nascido no Brasil e naturalizado croata, por duas partidas na Liga dos Campeões por ter simulado um pênalti. Em uma dividida com Artur Boruc, goleiro do time escocês, Eduardo cavou a falta, marcada pelo árbitro.

O próprio atacante converteu a cobrança de pênalti e abriu o placar para o Arsenal, que venceu por 3 a 1 e se classificou para a fase de grupos da Liga dos Campeões.

A simulação de Eduardo da Silva teve repercussão negativa na imprensa britânica, que classificou a atitude como 'desonestidade' e 'escândalo'. O jogador recebeu diversas críticas pela 'malandragem'.

O diário The Independent ilustrou uma matéria com três fotos nas quais fica evidente que não houve falta.


Que diferença para essa nossa terra cheia de jeitos. Aqui tal atitude seria pauta para uma enquete no Globo Esporte e resultado seria que ele fez bem em cavar a falta. Qual jornal de nossa nação chamaria essa atitude de 'desonestidade' e 'escândalo'? Isso mal acontece com relação as falcatruas políticas, avalie por causa de uma faltinha qualquer, num é? Afinal, todo mundo faz mesmo.....

E o pior é que sei que essas coisas não vão mudar....

Uma tristeza

Ps.: noticia publicada originalmente em: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/09/01/ult59u201169.jhtm

sábado, 29 de agosto de 2009

Uma noite na Super 8

Ontem fui a Super 8. Um local extremamente comum com muita gente chata e sem nenhuma graça. As pessoas parecem mais interessadas em parecer desinteressadas, em manter uma pose de distanciamento, uma coisa blasé, do que se divertir propriamente. A desenvoltura só melhora com o passar do tempo e chegada do efeito do álcool.

Muitas mulheres bonitas e não é a toa que os homens de outras cidades sempre comentam esse fato, mas a despeito das belezas todas me foram desinteressantes. Nunca tinha visto tantas barbies em toda minha vida: maquiadas, cheias de acessórios, falsamente desinteressadas em tudo, mas todas doidas para dar para o KEN. Fica apenas o detalhe de que elas pouco sorriam e isso é terrível.

Toda aquela galerinha de alto poder per capito, todos universitários ou formados, com whisky e Red Bull na mão e tão acostumados a tirar onda da absoluta da Stephany, se derreteram cantando cada parte da música da paulista radicada piauiense. Adoro essas coisas. Foi mais ou menos do mesmo jeito que me senti em um show de hard rock quando vi todos aqueles Headbangers de preto cantando de olhos fechados e tudo I’II Be There For You do Bon Jovi.

Prefiro o BOEMIA mesmo que o lugar seja um buraco e som de qualidade sofrível. Pelo menos lá as pessoas parecem mais interessadas em se divertir e se expressar de uma forma mais autêntica, com uma perspectiva mais centrada em si do que nos outros. A galera bebe mesmo, canta alto mesmo e diz que ama aquela música que ta tocando sem muito pudor.

Na Super 8, tudo parecia um balé. Tudo ensaiado: os gestos, sorrisos e olhares contidos ou até quem sabe, falsos. Até a mulheres sempre mais desenvoltas do que os homens no diz respeito à dança, estavam quietas. “Será se não to vendo coisa demais não?”, me perguntei depois de uma tequila e uma cerveja. Não sei, mas a sensação ainda é a mesma.

Daquela boite que se pretende a melhor, mais estruturada e, obvio, a mais cara da cidade, pude tirar uma conclusão: o ar-condicionado é muito bom porque o ambiente estava lotado e não senti calor em nenhum minuto. Mas fora isso.........

Aliás ainda me pergunto por qual motivo pago tudo mais caro lá do que no Mucuripe. “Quer dizer que só por que é em Fortaleza, deveria ser mais caro, melhor?”, antes que me venham com essa respondo: não, não é isso; a questão é que infelizmente o Mucuripe é muito melhor, maior e mais estruturado. Um fato e contra ele não posso lutar. O ponto aonde quero chegar é o seguinte: os preços da nossa melhor boite me soam falsos, são como são apenas por status. É aquela história, você não está comprando o produto, mas sim o valor agregado, o sentido, que vêm junto com ele. “Nossa ele tem grana, anda na Super 8”. Vão lá porque é caro e não por gostarem.

Não achei legal e muito menos meu bolso achou. Como sempre o que fez valer a pena foram as companhias, justamente o mais valioso e que por dádiva de Deus é de graça.

sábado, 22 de agosto de 2009

“And I'll find a place inside to laugh.”

A radicalidade bate a porta todos os dias. Devagar e com força
A paciência, antes tão grande, parece ser esvair como ética na política de hoje
A cerveja desce gelada e macia. Chega a calma momentânea e conforta
“Que horas já são?”
Hora de andar para frente.

Antes quietinho pouco chamava atenção e respeito não havia
Agora que fala alto e seguro poucos procuram confronto.
“But I'm not giving in an inch to fear.
Cause I promised myself this year
I feel like I owe it to someone” canta Neil Young
Ele ta falando de mim?

“Tu não era assim não, ó”, diria Neto e então riríamos.
Ele também mudou, mas quem diabo é que não muda?
Somente o Maranhão, mas ele não é uma pessoa.

Melhor? Pior? Tanto faz?
Não dá pra dizer ainda, sobra espaço apenas pra viver mesmo.





sexta-feira, 21 de agosto de 2009

111 anos



Então com 15 anos eu saboreava o momento mais bonito do Clube de Regatas Vasco da Gama, ano em que o time foi campeão da Copa Libertadores da América. Tive a sorte que muito outros torcedores de grandes times não tiveram, a de assistir seu clube eu sua fase áurea. Vi meu time ganhar dois títulos brasileiros, uma Libertadores, vários cariocas, Mercosul e Rio-São Paulo. Tenho a alegria de não ter de voltar 20, 30 anos atrás para falar das glórias do meu time, a exemplo dos outros três grandes do Rio. Vi a tudo em tempo real e não em livros de história ou no Canal 100.

Hoje o meu time completa 111 anos de fundação. Repito o que tantas vezes já disse: nenhum time no Brasil tem uma história tão bonita quanto a do Vasco e isso dá um orgulho danado. Apesar da segunda divisão temos algumas coisas a comemorar como nossa nova gestão focada na profissionalização do clube. Fizemos um ótimo Carioca e apesar de não campeões, jogamos com raça a Copa do Brasil da qual saímos sem perder um único jogo.

Claro que ainda falta muito para chegarmos ao nível de organização de times como Internacional, Grêmio e São Paulo e muito menos me consola o fato de sermos os melhores do RIO. De toda forma prevejo um futuro espelhado no passado. Cheio de boas histórias, títulos e paixão pela cruz de malta. Afinal somos vascaínos e o sorriso e cortesia nos pertencem como bem disse o jornalista Artur da Távola.

“Ser Vasco é ser intrépido tanto quanto leal. É ter o sentido da história do Brasil a fundir povos e raças sem preconceitos. É renegar o temor e ser popular sem populismo, ser valente sem arrogância e ser decidido sem soberba. Ser Vasco é ser mais povo que elite, mais tradição que novidade. É ousar, insistir, renovar-se. É gol, é gala, é garbo de uniforme original, cruz no peito, sonha n’ alma e amor no coração”.

Parabéns a todos os vascaínos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Eu não!

Linda propaganda da União Zoófila, triste e verdadeira.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Interesses

Passados 4 meses do crime que chocou Teresina, na tarde dessa segunda-feira chegou a capital Nilson Reis Feitosa, acusado de matar a estudante Tallyne Teles com dois tiros na cabeça. Depois de muitas horas de espera finalmente Nilsinho, como é mais conhecido, era apresentado. Repousam sobre ele sete processos na justiça do Piauí. Dentre as acusações estão assalto a mão armada, homicídio e estupro.

Passei toda a tarde esperando a chegada de Nilsinho. Aliás eu e toda e imprensa. Ele chegou sob forte esquema de segurança e então encaminhado ao IML e posteriormente até a sede da CICO para apresentação à imprensa. Aquele monte de jornalista ali atrás do cara..... fiquei me questionando: a mídia vai atrás de sangue por que o público gosta ou o espectador consome por que é posto à mesa?

Desde o dia, e antes mesmo, em que o corpo da jovem foi encontrado, no final de março, que a policia do Piauí implementou uma verdadeira caçada ao suspeito do crime. Tal empreitada terminou no meio de uma BR nas proximidades de Fortaleza, quando uma equipe da CICO (Comissão de Investigação do Crime Organizado) abordou o carro no qual Nilsinho estava. Houve troca de tiros e o acusado foi baleado duas vezes e preso. Em estado grave foi internado na capital do Ceará de onde voltou nesta segunda-feira (10.08).

Me pergunto quantos jovens são mortos todas as semanas na periferia de minha querida cidade e nada acontece com os assassinos. Poucos sabem mas existe um número impressionante de jovens perdendo a vida de forma violenta longe do centro de Teresina, longe de nossos olhos e das nossas instituições.

A sede da ‘CICO é uma casa comum na Avenida Gil Martins. Totalmente descaracterizada, quem passa pela porta dificilmente perceberá que ali trabalha um dos mais atuantes núcleos da civil do Piauí. A sala na qual Nilsinho foi apresentado era pequena e os jornalistas correram para pegar o melhor ângulo. Estavam lá também o competente e atuante delegado Bonfim Filho além de dois promotores do Ministério Público.

A de se condenar as ações da policia nesse caso? Eu não consigo! Rápida, precisa e efetiva foi sua atuação. Entretanto é obrigatório o questionamento da discrepância entre os tratamentos. Será se haveria uma equipe da Policia Civil do Piauí no encalço do assassino de Pedro Lima Pinto Santiago nas proximidades de Fortaleza, se fosse esse o caso? E se fosse o filho da minha lavadeira, será se a presteza seria a mesma? Duvido muito. Vidas sem conexões, sem influência ou costas largas na qual possam se encostar, são vidas sem tanta, ou nenhuma, importância para a polícia e justiça.

Art. 5º da Constituição Federal.
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza(...)


Nilson é muito baixo, deve ter um pouco mais de um metro e meio de altura, é franzino e tem pele clara. Andava encurvado e sua fisionomia era de debilidade. A maioria dos jornalistas ficaram se perguntando como pôde aquele quase anão causar tanto estrago? Veio calado do Ceará até aqui. “Por que você matou Tallyne Teles?”; “Tem mais alguém que atuou com você?”; “Tu ta calado por que?”; “Tem alguma coisa a declarar?” ....foram algumas da perguntas que ele não respondeu.

Certa vez estava conversando com minha irmã quando afirmei que a Justiça não era nem cega e nem muito menos burra. Ela aquiesceu e disse: “A Justiça é interesseira!”. Estava comendo quando escutei essa frase e fiquei chocado com a precisão da fala. “E não é isso mesmo!”, disse para mim.

De acordo com o promotor de Justiça José Meton Filho, Nilson Feitosa foi cedido pela justiça do Ceará por 30 dias. Tempo que o promotor entende como suficiente para ouvir o acusado e julgá-lo. Caso o prazo seja curto, o MP já adiantou que pedirá a prorrogação do prazo. “Ele só sairá de Teresina julgado”, disse o promotor afirmando ainda que qualquer movimentação no sentido de atrasar o trabalho da justiça será pior para o suspeito.

Sem mais comentários

sábado, 8 de agosto de 2009

Você é o que você vota!

"Transformam o país inteiro num puteiro

Pois assim se ganha mais dinheiro"

Cazuza.



É difícil ser otimista no Brasil, muito difícil. Somos um país corrupto feito por corruptos para corruptos. Sim, somos todos corruptos. Não temos uma noção aceitável de bem coletivo, de interesse da maioria em detrimento do nosso. Paramos nossos carros em qualquer lugar, interrompendo o trânsito ou não; furamos fila indiscriminadamente; jogamos lixo em qualquer lugar na hora em que quisermos (somente no Rio de Janeiro são 260 toneladas recolhidas diariamente pelos garis); os ''gatos'' na luz elétrica pública, a ''cervejinha'' dos policiais em troca da leniência em relação a multas, o 'comércio de influências nas repartições públicas, até os camelôs querem ganhar dois boxes no Shopping da cidade..... Uma infinidade de práticas nocivas.

Nas últimas semanas o que vem tomando de conta dos noticiários é o escândalo dos atos secretos do senado. Um descalabro de corrupção que era editado em atos não publicados no diário oficial da casa, acobertando imoralidades como planos de saúde vitalícios para alguns funcionários; serventes e mordomos que ganhavam mais do que o presidente da república e pela trilha de lama continua.

Isso só demonstra o quanto nossa política está no fundo do poço, com perdão do clichê. A esperança de ética e transparência que respondia pelo nome de Partido dos Trabalhadores se mostrou totalmente furada, rebaixando a boa imagem que tinha até a igualdade, ou até menos, das outras siglas. Em troca da sede ensandecida de poder, o PT traiu a confiança de todos nós se tornando em pouco tempo algo semelhante ao antigo PFL. Se utilizando velhas práticas como o clientelismo, a troca de favores e cargos e, como não poderia deixar de ser, a corrupção pura e plena.

"Eu vejo o futuro repetir o passado"

O que é pior é que nos acostumamos com toda essa sujeira. O Estado de São Paulo passou mais de uma semana publicando todos os dias denuncias contra o Clã Sarney, mas vejo só que não foi o jornal que produziu o material e sim a Policia Federal. Já pelo quinto dia de denuncias ao invés de ficarmos cada vez mais indignados e horrorizados, nos sentimos enfadados. "Affffff, o povo num cansa de falar sobre isso não", escutei isso na rua. É com essa nossa atitude nefasta que o presidente do Senado continua sentado onde está e de lá não parece que vá sair.

Sabemos de suas falcatruas na Fundação José Sarney; na presidência do Senado; na aquisição de terrenos em Brasília; na compra de uma fazenda; no recebimento de auxílio moradia (R$ 3.800) e ocupação de um apartamento funcional mesmo possuindo uma mansão no Lago Sul; a nomeação de seu neto João Fernando e da prima de Roseana como servidores e ainda a nomeação da sobrinha Vera Portela no gabinete de Delcídio Amaral. Nesse carrossel tem ainda uma prima e uma sobrinha do genro de Sarney, além de sua própria imã que agora trabalha no gabinete do senador Epitácio Cafeteira; podemos citar ainda o uso de verba indenizatória para a contratação de uma empresa que teria organizado seu acervo pessoal. Acabou? Não! Temos a história do seu neto José Adriano que é suspeito de envolvimento em um esquema de empréstimo consignado no senado; a ocultação da Justiça Eleitoral de uma mansão no valor de 4 milhões de reais e por aí continua. A última divulgada foi que o nosso ex-presidente ganha 52 mil reais oriundos de duas aposentadorias (TCE e Governadoria)e ainda de seu salário como senador. Para quem não sabe o teto do funcionalismo público é o salário de ministro de STF(R$ 24.500). Todos essas informações são públicas e notórias e o que acontece? Nada!

Devo admitir que essa é uma oportunidade em que tudo fica muito claro no jogo político. Fica nítida a concordância de nosso presidente com qualquer fato ou prática que dê o máximo de tranqüilidade a seu governo e mantenha sua popularidade em alta revelando um ser vaidoso e fraco; a ausência quase que total de interesse do coletivo no trabalho de nossos senadores; a alienação ou apolitização de nossa população, mais interessado no ouro do Cielo do que nos crimes do presidente da mais alta casa legislativa do país. Parece-me até ironia o Tribunal de Justiça do Distrito Federal ter proibido o Estadão de publicar novas matérias com base em gravações da PF, porque nesse quadro terrível só falta mesmo censura a imprensa. Sei que o TJ-DF tem um bom argumento já que as investigações correm sob segredo de justiça, mas não deixa de ser irônico e triste.

Quem me ajuda a tecer esse panorama é o grande jornalista Clovis Rossi:

Primeira imagem: Luiz Inácio Lula da Silva abraça Fernando Collor de Mello.

Ajuda-memória: Fernando Collor de Mello vem a ser aquele cidadão que, além de ter sido o único presidente afastado do cargo por falta de decoro em um país em que o decoro é artigo raríssimo, pagou a uma mulher para dizer na televisão que seu adversário (justamente Lula, naquele momento) quis obrigá-la a abortar da filha que ambos tiveram (Lurian).

Esse tipo de atitude é tão indecente, indecorosa, delinquencial que desqualifica qualquer pessoa para a vida pública (a rigor, também para a vida privada).

Não é, portanto, passível de perdão.

Lula até poderia aceitar o apoio de Collor para fazer parte da maioria governista.

Aceitou o apoio de tantos outros desqualificados que, um a mais, um a menos, nem se notaria.

Daí, no entanto, a abraçá-lo publicamente e a elogiá-lo vai uma distância que, percorrida, desqualifica também a vítima de antes.

Segunda imagem, a de ontem: Fernando Collor de Mello cumprimenta José Sarney.

Ajuda-memória: Fernando Collor de Mello vem a ser aquele cidadão que com maior virulência atacou o governo Sarney, a ponto de chamá-lo de ladrão, pelo que jamais pediu desculpas.

Sarney nunca escondeu o profundo rancor que sentia pelo seu desafeto, que, aliás, só se elegeu porque era o mais vociferante crítico de um presidente que batia recordes de impopularidade.

Ao abraçar Collor e aceitá-lo na sua tropa de choque, Sarney implicitamente dá atestado de validade aos ataques do Collor de 1989 e, por extensão, junta-se a ele na lama.

Que Collor, o indecoroso com condenação tramitada em julgado, ressurja com os mesmos tiques e indecências de antes compõe à perfeição o lodaçal putrefato que é a política brasileira.


"Você acredita no Brasil?"

Oficialmente, Sarney já foi absolvido de 4 das representações que existem contra ele no Conselho de Ética(???) do Senado. Na ultima quinta feita(06.08) o capitão nascimento de JS interpelou de forma tosca o senador Tasso Jereissati até se utilizando de palavrões para ofendê-lo. Não sei o que escrever, a relação desses seres com o poder público é de tamanha intimidade que eles literalmente confundem o parlamento com suas casas, falando o quem bem entendem, empregando quem desejam e principalmente fazendo do senado uma grande privada.

Ontem o senhor Paulo Duque (PMDB-RJ), senador que não recebeu um único voto já que é suplente do suplente de Sérgio Cabral no entanto ainda sim presidente do Conselho de Ética, entregou seu parecer com as 7 representações restantes contra Sarney. A Folha de São Paulo já revelou que seu parecer é pelo arquivamento de todas elas. Seu principal argumento é a falta de provas!?

Eu tento não ser pessimista com esse país, mas não tá dando não. Em conversas de mesa de bar ou ao caminho do shopping eu e Wilton tentamos entender, compreender como essas coisas acontecem e nada muda e sim parece piorar. Chegamos sempre ao mesmo ponto da frustração, pois invariavelmente percebemos que tudo não é empurrado goela abaixo, mas sim deglutido sem crítica alguma como que bebendo água. Ou seja, somos cúmplices. E ainda tenho que escutar aquela velha frase: Todo Mundo Faz!. Já que isso serve como consolo, alforria, anistia para cada um de nós, afinal nunca sabemos quando estaremos no foco das atenções, não é?

Uma desgraça esse lugar.


"Eu posso estar errado, mas eu devo cantar esta canção...."
Um dia como hoje, Ira


OBS.: Citações de Cazuza em o Tempo Não Para e Edgar Scandurra em Um dia como hoje, respectivamente.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quem diria

Sorte de hoje:

Simplicidade é o que há de mais sofisticado

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Notas Musicais


Alegria Girar

Recomendo a todos o novo cd do Validuaté Alegria Girar. A banda evoluiu bastante desde de Pelos Pátios Partidos e realizou um trabalho muito sincero, bonito, cativante e com muita personalidade. Continua um problema, quem já escutou a banda ao vivo sabe que os registros de estúdios não conseguem tranferir a energia que eles emanam no palco. Por conta disso, para este que vos escreve é impraticável escutar o primeiro cd, graças ao bom Senhor(e ao produtor) que essa desvatagem foi diminuida em Alegria Girar.

Mas enfim, isso é apenas birra de crítico barato. O fato é que dá gosto ver o crescimento desses caras e acreditar em uma música piauiense acessível e de qualidade. Inegavelmente eles têm toda a minha admiração. Ah, e a capa do cd tá linda.


The first(maybe)


Sinto até um orgulho particular com relação a esses caras, já que os entrevistei bem no iniciozinho da banda. Quando ainda era estagiário na rádio Antares. Depois da entrevista até peguei o Mocambinho Promorar junto com o Quaresma, vocalista, de volta para casa conversando sobre processos criativos, bandas e afins.

O canhoto e o destro

Parceiros há mais de vinte anos, Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra entupiram de gente o pequeno Teatro 4 de setembro no penúltimo dia de julho. A dupla despejou um repertório pouco conhecido da grande maioria do público desagradando a muitos que esperavam por grandes hits dos Titãs e do Ira!.

O show foi estranho, mas bem interessante. Arnaldo cantou mal como sempre, mas o cara é uma figura singular. Muito simpático, dançou(?!), fez careta, bagunçou o cabelo. Bem teatral, como disse uma amiga. Scandurra tocou divinamente bem, as vezes com uma zoada além do necessário. Fiquei besta ao ver o líder do Ira tocar e cantar. O cara transpirava segurança, manejando a guitarra como se fosse a coisa mais normal de todos os tempos. De dar inveja...

Pasmem, quis até um autógrafo do guitar hero. Fiquei pensando em ligar para o Antoniel perguntando que horas eles iriam embora para que o canhoto autografasse minha Luna, mas deixa para a próxima.


Em tempo

Escutei Ventura na íntegra depois de algum tempo. Conclusões: o Los Hemanos é a maior e melhor banda brasileira dessa década. Os caras conseguiram construir uma música que só eles fazem. Ai saudade.

Porra Nenhuma

Sempre tentei conhecer a tudo de música que me chegava as mãos e durante certo tempo até pensei que detinha algum conhecimento. Porra nenhuma! Conhecer o André, diretor da Fm Antares(ele tem mais de 5000 cds), o Erik e até o Marco me mostrou que nunca escutei nada. Ainda estou no jardim de infância da bagagem musical.

The man(again)

Edgar Scandurra é o cara.




Fotos: Patrício Lima e André Leão.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Digo ou não digo? Calar ou não calar?

Ei Pedro, tu num acha que deixa passar muita coisa não? Tanta gente que te diz cada barbaridade, que fala tanta coisa, mas não aguenta nem um terço do que diz.... Tu num acha isso não????

Cara, eu acho isso sim, mas é assim que as coisas tem q ser mesmo. É como vc disse essas pessoas não são capazes de aguentar nem uma banda do estão propensos a dizer. Se eu procedesse desse jeito já teria perdido muito amigo, colega e acho que até namorada. Esse é meu jeito, prefiro contornar, fingir de surdo, burro, lesado. Ser diplomático, não chego ao nível do Hermes mas........

Cada coisa tem seu tempo e jeito de ser dito. O importante é o objetivo que vc traça, ou seja, quem quer dizer algo é pq quer ser ouvido, entendido e compreendido. Caso contrário é desperdício de energia. Quem diz o que quer na hora que bem entende geralmente não colhe bons resultados. Erra o alvo e de quebra ainda pode ganhar a antipatia ou muito pior, o descrédito.

Eu quero o resultado. Não sei se consigo, mas tento com esmero. Entretanto, realmente é complicado ficar calado em algumas vezes. Mas te digo uma coisa, eu falo muito com meu silêncio. Nós temos uma compulsão pela fala, a gente fala, fala, fala e muitas vezes esquece de dar significado ao que diz. Isso é cada vez mais comum. Uma desgraça. Por vezes ficar calado é uma excelente resposta.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Tu num fala pouco na esperança de receber o mesmo tratamento não???? kkkkk

Eu odeio é falar besteira quando estou sério. Isso sim. Eu também falo pra caramba. Via de regra prefiro o dito ao não expressado, mas, principalmente, em momentos de raiva eu sei ficar calado. Isso é uma dádiva. Nenhum dos meus amigos nunca me viram zangado, acho que nunca nem cheguei perto desse estado. Até pq meu estado zangado é muito transitório, no dia seguinte a zanga já nem lembro direito o motivo e acho tudo muito bobo. Quem quiser que perca seu tempo com esse sentimento, pois eu não faço isso. Meu pai é mais ou menos assim e peguei isso dele.

O nome disso é qualidade de vida.

Enfim, com relação a essa pergunta quem me descreve bem é aquela comunidade do orkut: "Sua sorte é que sou educado". De fato essa é a sorte de muita gente.

OBS.: Conversa real.

domingo, 19 de julho de 2009

Lost.

Ontem formatei meu Pc. Desse hd formatado consegui salvar minhas coisas. O problema é o outra memória ROM. Nela estão cerca de 4 mil músicas, todas baixadas, uma infinidade de fotos(na verdade minha vida fotográfica está lá), mais de 20 mil tablaturas de guitarra, meio mundo de programas, animes e mangás.....tanta coisa.....

Pois é, esse HD eu não estou conseguindo acessar. Está dando um erro fatal quando tento acessá-lo como memória escrava.

Sinceramente ainda não me dei conta do que estou por perder ou já perdi. É verdade existem algumas possibilidades de se recuperar todo esse material, mas, não sei se por medo, ainda não me movimentei nesse setido.

Ainda estou leve.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

As pedras vão rolar!

Em São Luís só curte reggae a periferia financeira. O centro econômico considera que é música de gente pobre; associa a confusão; drogas e tudo que se pode ditar como ruim.

Quando criança eu via todas aquelas músicas com curiosidade e atenção, não com gosto é verdade. Achava uma graça aquele jeito de dançar e as propagandas da radiolas de som.

Já em 2009 eis que chega meu primo Junior em THE e com ele 600mb das mais puras pedras reggueiras. Um baú maravilhoso.

Uma delas é a trilha sonora da minha infância jogando bola na Av. da Paz em Saint Luis. Sempre que estavamos jogando essa pedra tocava e invariavelmente alguns dos pivetes ensaiavam alguns passos desajeitados. Até eu me arrisquei algumas vezes....

É essa daí de baixo do vídeo do youtube. Como diz o slogan dos shows de reggae: "PREPARE-SE..............AS PEDRAS VÃO ROLAR"

terça-feira, 7 de julho de 2009

Doctor!!!!!!!!!!!!!

Saio da letargia e aridez de falta de inspiração para saudar meu irmão, que agora além de concursado é o primiero Doutor de fato da família.

Ontem quando cheguei em ksa minha mãe veio pulando em minha direção feita uma criancinha. "Meu filho é doutor, meu filho é doutor, meu filho é doutor....." repetia ela enquanto me abraçava com largo sorriso no rosto.

Meu pai não é conhecido por sua boa capacidade em expressar seus sentimentos, mas o contentamento era visível. Acho que ele deve sentir-se com o dever de missão cumprida, afinal ele também contribui para esse grande feito. Fazendo dele seu também.

Meus primos felicitaram minha mãe e fizeram declarações de admiração e amizade à meu irmão. Catarina, como sempre, com seu sorriso sincero no rosto e aquela ternura inata a seu redor. "Tu viu lá nosso irmão?", questionou ela toda boba. Um amor!

Melzinha observava a tudo com atenção e era clara a vontade por participar daquilo.

Eu assisti a tudo com passividade. Claro que feliz por my brother, mas aquilo era pra mim tão certo, quase comum. Afinal o sucesso é paralelo a sua vida. Não se trata de diminuir seu feito, não não é isso. É só porque eu confio totalmente no Junior. Só isso.

Parabéns meu irmão.

Enorme abraço.

OBS.: Agora fico só na expectativa para a definação de minha mesada já de que meu irmão doutor deve assumir seu posto na UFRN em breve.... Não sou besta....rsrsrsrsrs

domingo, 21 de junho de 2009

E o amanhã a gente não diz...

A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida.

Sábio Vinícius.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Daylight

Quer dançar? Sentir-se feliz, alegre?
Então escuta essa musiquinha aí de baixo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Simplesmente a melhor do mundo

terça-feira, 26 de maio de 2009

Para Julie

Se amanhã eu ganhar na Megasena meu primeiro gasto será com algumas passagens com direção a Brasília. Naquela lugar moram muitos parentes e também uma amiga maravilhosa que deixa aquela terra menos cinza.

Muitos abraços, conversas, cervejas, sorrisos, ideias e alegria, até um pouco de tristeza também(mas não muita), me aguardam. Não posso esperar menos, tenho certeza.

Está ela lá, assim, como nós cá, a evocar seu nome todas as vezes que nos encontramos. "Só faltava a Julianna aqui, né?!", alguém diz. Então fazemos um brinde e contamos alguma história antiga ou até nova mesmo, já que o MSN nos mantêm informado. Jacaré Banguela que o diga.

No planalto central, a terra cinza relete o sentimento do mesmo tom. "Não, não combina", diz minha amiga, mas a incidência continua. "Não, não combina mesmo", digo eu.

Me lembrei de Baudelaire:

"Aos olhos da saudade como o mundo é pequeno"

...E nesses dias em que as coisas parecem melhorar, só falta Julianna para colorir ainda mais esse quadro.

P/ minha amiga!

domingo, 24 de maio de 2009

Coisas mudam.

Taí o novo visual do Blog. Não é o que eu queria, mas já estava na hora de uma mudança.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Enfim.......

Por muito pouco a última parte dessa entrevista não saia. Envolto com questões ditas mais importantes do que as conjecturas de um jovem jornalista sobre a vida, o entrevistado titubeou e esmoreceu do plano inicial da conversa em quatro partes. Questões colocadas, pensadas e repensadas, opiniões requisitadas, calma conquistada e cordas novas compradas, estava preparado o terreno e depois da epopéia enfim o veredicto de encurtamento da série, mas não de um fim abrupto. “Salvo algumas alterações essa última parte foi escrita junto com a segunda. Desde então ela está na geladeira, mas como comecei é o jeito terminar né? Coisa inacabada é um troço sem muito futuro”, diz o moço.

No tomo final poderemos conferir um pouco das conseqüências do olhar jornalístico na vida pessoal do questionado; conheceremos ainda sua visão de si e dos seus mais próximos. Um retrato do espelho é verdade, mas ainda sim fidedigno. Boa Leitura.

Catarina: Porque tu relutaste tanto em concluir a entrevista??

Pedro: Não sei ao certo, mas de repente não via mais sentido nisso tudo. Apareceu essa história das enchentes aqui em Teresina e isso mexeu comigo. Os dias 27, 28 e 29 de abril foram muito tensos porque a todos os momentos as coisas pioravam e no trabalho a gente poderia ter que dar uma notícia muito triste como o rompimento do dique do Poty. Algo que seria catastrófico para a cidade. Tenho muitos amigos que moram nessa região o que me deixou mais preocupado ainda e até liguei para dois deles para saber como estava situação. Então, acompanhei em tempo real essas coisas todas tendo que falar com prefeito, defesa civil, Chesf, bombeiros e todo esse pessoal estava muito preocupado, dava para notar pela voz. La na redação da rádio estava todo mundo preocupado e muito atento, quando alguém desligava o telefone chegávamos logo perguntando: “E ai, vem mais água ainda?”; “O dique rompeu mesmo? Só teve uma rachadura né, graças a Deus”; “A água entrou no riverside!!!”. Então diante de um negócio desse, todo o resto pareceu desimportante e mais especialmente ainda essa entrevista.

Conversei ainda com uma amiga que disse que estava me expondo demais com isso, daí fui pensar sobre essa afirmação e fiquei em dúvida e por um momento até arrependido.

Junior: E porque decidiu terminar??

Pedro: Muita coisa aconteceu, as coisas melhoraram em muitos nuances, a água baixou e a esperança subiu. Apesar da calamidade é bonito assistir o empenho das pessoas em ajudar aos outros. Aliado a isso bateu uma certa segurança com relação ao já dito e o pós-dito também, fatos que me deixaram suficientemente à vontade para falar com vcs. Então vamos lá, podem perguntar.

Hérlon: Num sei se tu percebeu, mas já respondeu a duas perguntas........

Pedro: Owww seu otário, tu entendeu o que eu quis dizer.

Hérlon: Eu sei, abestado. Foi só pra descontrair...(risos)

Pedro: (risos) Beleza então, já estou descontraído.

Junior: Peter, o Gustavo e o George já falaram da tua solterice, mas vc não disse o que acha de estar solteiro.....


Pedro:...... de novo essa história.....
Maluco Natalense, é o seguinte: eu nunca parei para pensar sobre o que acho de estar solteiro, mas vou tentar te responder. Como tudo no mundo, existem os prós e contras. Prós: liberdade! E isso é uma coisa magnífica. Contras: os defeitos de se estar solteiro são todas virtudes de se ter alguém, ou seja, é um negócio difícil de falar porque é muita coisa, mas diria que ter sempre alguém do lado é uma coisa maravilhosa e muito forte. Não alguém qualquer, mas sua namorada, porque presumo que para ser namorada tem ser especial. Pelo menos é assim comigo.

Mas voltando a história da liberdade, vô te dizer, ô coisa boa é alguém te ligar chamando para ir pra Campo Maior, Imperatriz, Amarante ou o caralho e vc simplesmente poder ir sem ter que dar a mínima satisfação. Adoro isso e afirmo que é uma ótima sensação. Recentemente fiz uso dessa prerrogativa e foi uma beleza. No estresse, relax total....(risos)

No momento é esse o sentimento que me domina, o de liberdade. Mas tudo que é sólido desmancha no ar, não é?

Junior: Minino, como o Hérlon disse: que coisa mais intelectual. Karl Marx e Marshall Berman......

Pedro: (risos) num é.....mas não é verdade? Certezas hoje se tornam história no dia seguinte! Não dá pra saber o que o amanhã guarda pra vc.

É certo que estar solteiro é uma coisa muito esquisita e chata no inicio, já que se está acostumado com uma pessoa sempre ao seu lado, um o porto seguro para o qual vc possa voltar e ser bem recebido. Isso é uma coisa muiiiiito boa, mas todo carnaval tem seu fim ou pelo menos diz assim a canção. Mas o tempo passa e vc vai se acostumando com outra realidade e já que se está solteiro, tem que viver bem né?

Nunca me esquecerei do que Wilton me disse uma vez: “Pedro, a gente não tem procurar nada que nos faça mal. Temos que ficar bem seja como for”. Entendem? Isso é uma coisa muito sábia, já que as vezes nós insistimos em complicar as coisas e ou negar fatos.

Na verdade, na verdade não tenho muitas palavras sobre esse tema pq ele não me preocupa. Não é pauta dos meus pensamentos. Vou vivendo da melhor forma que posso e pronto, além do que tenho meus amigos que nunca me deixam sentir-me solitário. Concurso é tema diário da minha consumição, mas estar solteiro não.

Joseane Araújo: Pedro......

Todos: Quem é essa minina?

Pedro:
É uma grande amiga minha.

Joseane Araújo: (envergonhada) Vamos agora voltar ao objeto desse texto, vc. Então, quais são tuas características que te tornam especial para vc mesmo??


Pedro: Primeiro quero dizer que é bom ter vc aqui. Agora respondendo a pergunta, eu acho que quem deve falar dessas características são vcs que são meus melhores amigos e me conhecem de fato e direito. Mas como sou um cara enxerido, deixa eu dizer algumas coisas.

Para começar eu sei que sou um cara único. Não querendo ser mais do que os outros, não é esse o ponto, mas sei que faço coisa que poucas criaturas fariam. Afinal, quem mais pediria para escutar Clocks em um município inóspito as vésperas de um show de forró?? Quem chegaria em casa às 5 horas da manhã semi-bêbado e tocaria Air Guitar rodando sozinho no meio do quarto escutando One I Love do Coldplay?

Que outro homem entraria em um cabaré e ficaria condoído da vulnerabilidade social daquelas moças? “Me diz uma coisa, que diabo tu faz aqui”, perguntei certa vez a uma linda garota de programa. “Estou aqui porque gosto de sexo”, respondeu ela toda arrebatadora, mas não menos falsa. “Olha......eu só quero que tu me diga o motivo verdadeiro”, insisti entre sério e zombeteiro. “Eu tenho uma filha.....tô aqui pela grana e por ela”, concluiu a garota que dizia se chamar Rafaela. Logo depois disso fui embora e ao me despedir da moça dei-lhe um bjo na testa e disse: “Fica com Deus”. Logo eu, que sou agnóstico, falei isso e para ser sincero foi a única coisa que desejei àquela moça, que ficasse com Deus. Nada mais nada menos. Quem mais faria isso?

Qual outro ser vivente perderia a chance de ficar com uma das meninas mais bonitas de uma festa? Verdade seja dita ela tem um dos nomes mais estranhos que já escutei, mas verdade seja dita parte 2, não foi isso que me afastou. De toda forma, que outro cara deixaria de ficar com a tal? Poucos, concluo eu.

Outra ponto é a Timidez....... ahhhhh timidez, teu nome é Pedro. Talvez não seja defeito ou qualidade, mas apenas uma característica como bem disse a moça de nome polonês. Coisa que é minha. Fazer o que? “Levanta-te e sê tímido”, disse meu bom Deus ao nascer o terceiro filho de Tesinha Pinto (mulher arrojada) e Francisco Santiago (Intrépido viajante). Mas dos desígnos de Deus apenas a obediência é cabível. Além do que, como fugir do que é intrínseco? Talvez a Diana me ajude a melhorar isso ou até outra psicóloga, quem sabe(risos)......

Antigamente eu ainda falaria da minha memória, mas ela já não é tão vistosa. Uma característica que gosto muito em mim é a fidelidade e atenção aos meus amigos que é uma coisa muito prazerosa. É como o maluco piu-piu do Neto falou e tantas vezes já repeti: eu sou eu mais meus melhores amigos.

Agora o Pedro (tô falando que nem o Pelé) detêm um talento especial que poucos possuem. Eu sempre estou prestando atenção na música que está tocando. Por mais baixo ou distante que seja, se ela estiver audível, estou ligado nela. Foi assim que entrei em contato com inúmeras canções que amo e Clocks foi uma delas. Antes eu pensava que todas as pessoas eram do mesmo jeito, mas descobri que não. Além de mim, conheço apenas a Jussara que também possui esse dom. Aliás, grande parte das pessoas que conheço encaram a música apenas como entretenimento, o que acho uma tristeza.

Enfim, alguém que me olhe pode me ver assim......... e não será mentira.

Julianna: (toda faceira) E o que tu acha da gente, os teus melhores, maiores e mais maravilhosos amigos??


Pedro: Eu falo com a maior certeza existente que vcs são exatamente isso que vc disse. São as melhores e mais maravilhosas pessoas que conheço.

Julianna: owwwwwwwwww

Pedro: Eu conheço um monte de gente e já andei com muitos tipos diferentes e de muitas tribos. Então digo com muita tranqüilidade que vcs são os melhores amigos que uma pessoa pode ter. Falo de amigo mesmo, aquele se preocupa, que quer estar perto, que sabe ouvir, dar conselhos, críticas, além de ser prestativo e confiável. É assim que somos.

Vejo muita gente que chama aos outros de amigo sem muito critério e sempre achei muito estranho. Assim como já vi muita gente ser amigo dos outros, mas esses não serem seus amigos. Entendem?

Conheço amigos de farra mais divertidos e palhaços dos que os meus, mas poucas vezes vi a cumplicidade que há entre a gente e isso é um negócio muito, mas muito raro mesmo. O termo amigo que usamos é no sentido de um se preocupar com o outro. A confiança que existe entre mim e o Gustavo, o Wilton e Hérlon é algo muito incomum. Eu, por exemplo, confio totalmente no Neto, mas 100% mesmo. Priscilla e Julianna são sumidades para mim. O Daniel é uma pessoa que admiro e quero que sempre esteja por perto.

Como já disse, vi muitos tipos de amigos nesses poucos anos de vida. Conheci uma moça que dava prazo de validade para suas amizades, elas duravam um ano e não mais do que isso. Outros tem amizades de acordo com sua necessidade. “Hoje estou alegre e vou andar com fulano....hoje tô tliste e preciso dos conselhos do beltrano”. Estão me entendendo? Conosco não é assim. Eu vejo a gente em todos os momentos. Quando viajo e estou me divertindo sempre lembro que se vcs lá estivessem a coisa seria ainda muito melhor. Tava em Parnaíba no reveilon e me lembrei do Gustavo ao escutar Andei Só do Natiruts. Fiquei imaginando como a Julianna e a Rochelle achariam bonita a praia de Macapá. Quando estive em Campina Grande, a trabalho, só me veio o Hérlon à cabeça, sabendo como ele gostaria de ali estar.

Vcs sabem que viajei um tempo fazendo matéria para uma revista que tratava de vaquejada. Lembro-me de estar em Arapiraca, perto de Maceió, cansado, fadigado, sem graça e em certo momento o celular tocou e era o Wilton. Passei mais de meia hora conversando com ele, logo depois o Hérlon ligou e por fim o Gustavo. Aquilo salvou meu dia. Quero dizer, eu continuava só o bagaço, mas meu ânimo havia voltado. Naquele dia fui dormir satisfeito e ansioso por voltar para cá.

Já falei um monte de coisas aqui sobre a importância de vcs, mas para mim isso não traduz o que de fato é o sentimento. Nem uma banda, eu diria. Parece que do mesmo jeito que é difícil escrever, é complicado falar sobre vcs.

Mas quero dizer também que minha amizade sincera não se resume apenas a Liga. Ela é meu centro, mas tenho muitos amigos valorosos por aí. Um exemplo é a Joseane que é uma amiga de integral confiança, uma pessoa inteligentíssima e interessante como poucas. Do Neto nem preciso dizer nada, somos irmãos e isso é fato inconteste. Tenho ainda primos muito próximos como George, Josué, Jonatas e o Luciano. Apesar da distância listaria ainda a Alana, uma pessoa que me conquistou e com isso desenvolvemos uma amizade bem próxima. Nunca poderia me esquecer da Kelly, uma mocinha muito doce que conheci ainda na oitava série, uma criatura que adoro de coração. Outra figura querida é o Eduardo, um cara de quem gosto muito.

O Hermes é um cretino que adoro. Cretino pq ele quase nunca aparece e pouco nos falamos, mas quando isso acontece parece q nos vemos a toda hora. Nos damos bem demais.

Não poderia deixar de falar de meus irmãos Catarina Junior, já que nossa relação vai muito além do laço sanguíneo. Algo que desemboca em uma admiração, cumplicidade, amor e vivência mutua. Sou muito feliz e grato por tê-los como referências em minha vida.

Uma menção mais do que especial vai para dona Jussara Santarosa. Pense em uma moça que admiro, ela, talvez, seja a melhor pessoa com quem já entrei em contato. Nunca conheci alguém tão humana quanto ela e graças a Deus posso ter essa convivência e pegar um pouco de sua bondade. Então, posso dizer que de amigo não posso reclamar em absolutamente nada. Só fico meio assim porque já citei muita gente e sempre acaba faltando alguém. Citaria ainda Nilton, Cynthia, Marcos.....é uma galera muito boa que só eu tenho. As vezes fico até pesaroso com outras pessoas que não têm essa sorte, mas fazer o q?

Amizade quem me ensinou a ter e a dar valor foi meu pai. “Meu filho, um homem sem amigos não é nada”, dizia ele. Meu pai fazia tudo pelos amigos nem que passasse por cima da gente daqui de casa. Lhe devo essa reverência. É verdade que gente como ele, assim como eu tb, corremos o risco de termos umas relações desproporcionais, mas essa é uma coisa inerente e faz parte do jogo. Afinal como disse Fernando Pessoa: Quem não quiser sofrer, que se isole.

Posto tudo isso posso dizer que tenho muito orgulho de fazer parte dessa turma e dos amigos que tenho nesse mundo.

Catarina: Em teus textos sobre música e em outros tb tu sempre toca na questão simplicidade. Em nossas conversas tu tb já expressou teu apresso por este estado e é possível perceber isso até na tua forma de escrever. Aqui mesmo durante a entrevista vc tocou nesse aspecto ao falar que as pessoas às vezes complicam as coisas.......


Pedro: A simplicidade é um ideal de vida, uma coisa que tento perseguir cotidianamente e que as vezes consigo e muitas outras não. Nossa existência seria bem mais fácil se encarássemos as coisas com mais simplicidade. O segundo post deste Blog foi sobre isso.

Em certo trecho disse: “Fico pasmo com o comportamento de homens e mulheres que inexoravelmente tendem a complicar suas vidas. Em poucas palavras isso é procurar por infelicidade. São rotinas diárias baseadas em cobranças e sentimentos sem o mínimo amparo no mundo real. Penso que podemos facilitar os entendimentos e jogar um jogo mais claro. Mas isso parece impossível”.

Tirando esse tom excessivamente pessimista, ainda hoje penso essas coisas e mais ainda a última frase, ou seja, parece que é impossível mesmo atingir essa meta. Para se ter uma idéia disso basta observar as pessoas que são do seu convívio e perceber o quanto elas complicam tudo. Falei dessa aflição no pedaço seguinte do texto:

“Tremo ao ver as desavenças datadas e previsíveis que sempre acontecem a despeito da vontade de sentir-se bem. Isso mina o ser seja eu, ele ou você. De duas uma: ou eu não sou nada do que penso que sou; ou realmente a maioria esmagadora das pessoas tem essa coisa suicida do embaralhamento de sentimentos em um sentido de liquidificador que, em num movimento continuo, joga as coisas para cima e depois para baixo. A metáfora só não é completa porque nós raramente temos o poder de apertar o botão e desligar essa sina.”

É certo que me incluo no rol de pessoas que complicam tudo. Afinal, eu disse que tento implementar uma simplicidade, não que consigo. Entretanto, eu continuo tentando, aprendendo, errando e até evoluindo um pouco.

Estava bem cético quando escrevi esse texto, mas hoje eu vejo as coisas com mais calma e tranqüilidade, afinal acho que amadureci de alguma forma e cada dia que passa percebo como nós somos incompetentes para lidarmos com certos sentimentos, as vezes muitos. Então penso que esse dano que causamos em nós e nos outros é uma ação quase culposa, sem intenção. Nesse texto do qual falei, terminei de forma muito pessimista ao afirmar que alcance da simplicidade parece mais um sonho inalcançável. Hoje já não penso assim, acho que dá pra melhorar muita coisa assim com é perfeitamente possível e palpável sonhar com a “harmonia de coisas simples, com a cadência da compreensão e o eco de um estado feliz”, como já escrevi.

Pelo menos assim acredito.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O primeiro....


Hoje, dia 20 de maio de 2009, meu irmão foi aprovado no concurso para professor de dedicação exclusiva da Universidade Federal do Rio Grande Norte. O futuro novo docente da UFRN fez quatro provas classificando-se em primeiro em três delas, o que resultou no primeiro lugar geral.

Nossa alegria é grande, finalmente meu pai poderá dizer que tem um filho concursado, seu sonho desde há muito tempo. Minha mãe terá uma preocupação a menos e por fim meu irmão poderá seguir sossegado e com brilhantismo a profissão que escolheu para si.

Se não fosse hoje, esse dia muito pouco demoraria a chegar dada sua competência e saber. Não foram uma, duas, três e nem dez vezes que chegaram para mim e disseram: “Tu é irmão do Santiago? Eita, que ele é fera demais hein” ou então “Rapaz, teu irmão vai ser uma dos maiores professores dessa universidade” ou ainda outra variação que agora não lembro. Isso sempre foi motivo de muito orgulho para toda a nossa família.

Com essa ótima notícia de hoje pude ter uma idéia do que vou sentir quando passar em um concurso, tenho certeza disso. Uma alegria enorme acompanhada de um grande alívio.

Só falta eu fazer por onde para merecer essa alegria, mas essa já outra história.

Parabéns ao meu querido irmão pela aprovação. Muito mais o aguarda: sucesso, viagens, festas, aulas chatas boas tb, péssimos alunos(além do bons), muita pesquisa boa e como não poderia deixar de ser, a tua família sempre te aguarda com anseio.

Um grande bjo


PS.: O tio Whasington também vai adorar saber dessa história.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Rimas ao vento

A simplicidade é uma característica belissíma e especialmente admirada por este que nestas teclas bate. Assim sendo, não tive como não me encatar com um poema de uma moça sorridente chamada Larissa e mais especialmente com um verso lindinho que ela escreveu:

"Rimo poesia com estrela, sol e lua, rimo com minha boca rimando a sua"

Bonito né?
Eu gostei :)

Fiz a minha riminha tb:

“Rimo poesia com roda violão, amigos e o mar, rimo saudoso o desejo de amar".

A minha é beeeeeeeeem mais pobre, mas o que vale a é aintenção....rssss

Verso publicado originalmente em larinhacavalcante.blogspot.com

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Oasis.


Chego em casa ligo o computador, bebo um copo com água, folheio a Rolling Stones e leio a matéria dos 15 anos de morte de Kurt Cobain. Zapeio a net bato na folha online e degusto a resenha do show do Oasis em São Paulo(Oasis faz bonito em São Paulo apesar da chuva). Muito se especulou sobre uma possível ida da banda à Fortaleza, mas nada se concretizou e a chance de assistir a uma dos grupos mais interessantes que já existiu caiu totalmente. Mais um que perdi!

O Oasis foi o maior representante britânico e um dos ícones mundiais da década de 90. Nem mesmo o Radiohead conseguiu tirar essa majestade dos irmãos Gallagher.


De volta a resenha, fiquei maravilhado com a galeria de fotos do show ocorrido na terra da garoa. As luzes deram uma intensidade crua à banda e os integrantes pareciam figuras maiores que nós mesmos, alimentando o mito de que são pessoas diferenciadas e fonte de adoração. Bobagem é verdade, mas acho que foi isso que sentiu quem estava no show.

Engraçado que sonhei com o show e a banda executava Falling Down, minha música preferida do último álbum. O local era uma arena coberta de ótima acústica e a voz de Noel ecoava lindamente em todo o lugar. “A dying scream Makes no sound Calling out to all that I've ever known Here am I, lost and found Calling out to all”, ouço o mais velho dos Gallagher entoar em meio a atmosfera elétrica e a sensação de álcool no sangue. Sonhei com um momento de desespero sublime e saboroso, sentindo a dor do personagem da canção e cantando com toda a força que minha garganta permitiu. “Eu tentei falar com Deus em vão. Eu o chamei acima, dentro e fora de lugar nenhum. E disse ‘Se você não vai me salvar, por favor não desperdice meu tempo’”, sentencia em inglês bem articulado.


Desde Standing on the Shoulder of Giants (2000) que aprecio mais as músicas compostas e cantadas por Noel do que as de Liam que cada vez canta menos (entenda como quiser). Nesse cd a melhor faixa é Where Did It All GO Wrong. Dois anos depois Little by Little e She is Love repetiram a dose em Heathen Chemistry de 2002, apesar de Liam comparecer bem em Stop Crying Your Heart Out e Songbird.

Em 2005 a banda lançou um álbum que gosto muito chamando Don’t Believe the Truh e nesse cd os irmãos balancearam bem as músicas o que resultou em um empate técnico. Por fim chegamos ao Dig Out Your Soul no qual Noel canta High Horse Lady e Falling Down de forma fabulosa elevando o placar para uma goleada. Esse álbum traz um Oasis bem maduro com canções sérias e psicodélicas


Objeto de minha admiração dentro do grupo Noel é um guitarrista bem mediano, um cara limitado mas que articula bem os poucos artifícios que dispõe. Faz da simplicidade seu lema e carrega bem as canções com solos curtos e repetitivos, privilegiando a melodia em detrimento do exibicionismo ou técnica. Aliás, essa é principal característica e qualidade do Oasis, a sua simplicidade. Fazer muito com tão pouco.

De volta ao sonho


Meu sonho, que mais pareceu um vídeo-clipe, terminava junto com a execução de Falling Down. No mesmo instante em que eu abria os olhos Noel tocava seu último acorde segurando a guitarra Les Paul em meio a luz amarela. Ele junto com seu irmão tinha o rosto coberto pelas sombras, o que acabou por evidenciar ainda mais as marcas do tempo, dando a medida dos anos tanto em suas feições quanto na própria música. Gritos e aplausos irromperam por todo lado e a banda agradeceu devolvendo as palmas. Andando em direção ao Backstage e, praticamente de costas, Noel se despediu com um leve aceno e um sorriso nos lábios. As luzes se apagaram e acordei aturdido, levantei e peguei meu violão e, sem pensar, toquei Wonderwall por alguns segundos.....

“Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta doI don't believe that anybody
Feels the way I do about you now….”


Coloquei meu querido de lado, ajeitei meu ventilador, fechei a cortina que havia sido aberta pelo vento e me deitei novamente desejando muito sonhar com a próxima canção que a banda tocaria. Não sonhei com mais nada nessa noite, mas o show continuou música a música na minha cabeça. Na verdade, ainda está aqui.




quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um tostão pelo respeito

No ano passado o estado de Santa Catarina passou por uma das piores enchentes de todos os tempos. O saldo é catastrófico: quase 80 mil desalojados, mais de 120 mortes e um dano pesado na infraestrutura estadual.

Por conta desses eventos o estado recebeu a solidariedade de todo o país em forma de mensagens, doações e donativos. O jogador Ronaldo, balofo, doou 30 toneladas em alimentos, por exemplo. A mídia deu uma incrível contribuição para essa onda de solidariedade, produzindo programas especiais, disponibilizando contas para doações e uma infinidade de ações em prol das vítimas catarinenses.

No mesmo país sendo que um pouco mais ao Norte, há cerca de 3 ou 4 anos o Nordeste passou por uma da piores enchentes dos últimos 30 anos. A calamidade se espalhou pelos nove estados que sofreram humana e economicamente. Na Paraíba morreram mais de 25 pessoas e centenas de milhares ficaram sem casas em toda região. A mídia noticiou o fato como se fosse em um país tão distante como o Afeganistão.

Em 2009 a cena se repetiu. No Piauí são 60 mil atingidos pelas enchentes e situação mais crítica se encontra na capital Teresina que tem 64 bairros alagados. Em Barras 70% da cidade ficou debaixo d’água.

No Maranhão são mais de 150 mil atingidos. No município de Trizidela do Vale dos 19 mil habitantes, 15 mil tiveram suas casas invadidas pelas águas. Cinco Br’s do estado estão cortadas incluindo os acessos a capital São Luís. “O bloqueio de estradas no Maranhão agravou a situação dos flagelados. Várias cidades enfrentam desabastecimento. Com as estradas interditadas, faltam frutas e verduras que antes eram transportadas do Ceará para o estado”, atesta a matéria do portal G1.

No vizinho Ceará sete pessoas morreram e 165 mil foram afetadas pelas enchentes, diz a mesma matéria que ainda completa: “No total, 59 municípios sofrem com alagamentos”.

Muito relutei em fazer um paralelo entre a tragédia de Santa Catarina e do Nordeste, mas os posts de Julianna e Junior me deram o ensejo. Não me atrevo a uma comparação entre qual é mais séria ou trágica, mas sim da diferença de tratamento dado, que é estrondosa. Enquanto no caso do catarinense houve uma fortíssima campanha capitaneada principalmente pelas TVs Globo e Record, o Nordeste recebeu e recebe apenas a pena dos irmãos federados. A coisa é tão descarada que até um nordestino fez prática do desprezo pela região. O ministro da Integração Nacional Geddel Viera, que é baiano, indignou Teresina ao visitar a cidade no inicio da semana e afirmar que não viu calamidade na capital!!!! Para ele duas mil famílias desalojadas deve ser pouco.

O fato é que o espaço recebido pela calamidade nordestina é perceptivelmente menor, muito menor do que o dado ao caso sulista. É fácil comprovar essa afirmativa ao se abrir os maiores portais brasileiros: o G1 e o UOL. A notícia está lá, mas sem destaque ou impacto. Faça um teste e carregue a página nesse exato momento.

Não se trata de diminuir a importância da dor catarinense, mas sim do menosprezo a do nordestino.

Não tenho aqui teorias e nem argumentos para justificar ou explicar essa diferença. Posso tirar algumas conclusões do pouco que li e ainda das experiências a mim contadas por amigos e conhecidos. A mais recente é de Julianna dando conta da extrema ignorância do povo candango com relação ao nosso estado e região. E olha que eles são nossos primos, visto que são em sua maioria filhos de nordestinos. Outro relato forte foi de Edinamária, que me contou o grande preconceito que sofreu na USP por parte dos alunos e até dos próprios professores, sendo até preterida de uma vaga no Mestrado.

Realmente não compreendo e deixo a explicação a pessoas mais capacitadas como a já citada Julianna e meu irmão Junior. Essa diferença, na verdade essa indiferença, só me entristece e deixa um gosto ruim na boca. Aquele sabor amargo ultrajante que só tem igual em coisas como o racismo, o preconceito sexual e étnico. Essas coisas que parecem só existir em lugares tão distantes, mas que está bem aqui no nosso país.


PS.: A CHESF prevê para sábado, dia 9, a invasão das águas do Parnaíba na avenida Maranhão.